Paulino Vergetti  Neto_escritor

Meu_Tear Literário_

Meu Diário
06/04/2007 10h13
Reflexões da Rotina
Andamos pelos mesmos caminhos onde as serpentes andam. Sob as árvores onde as cigarras secam de cantar em prol dos tempos verânicos. E sobrevive esse canto, tanto e tão forte que retorna após a chuva da invernada, quando o sol vem novamente arder no tempo e secar até a lágrima. E o sentimento fica da cor do tempo.
E os mortos, sujos da terra, não podem admirar a luz da alvorada. Acabam-se apenas pelo que lhes levam o tempo voraz dos micróbios esfomeados nas distâncias rasas da terra, donde brota tudo, menos o que ali fora enterrado de humano e poético.
O título do meu título está nos efêmeros instantes das horas, dos minutos, dos segundos seguidos por uma espera contínua de esperança em novas visões, em mundos mais luminosos. As palavras dos sinos nos fazem chorar, e um que morre acorda um que vive.
Estralam-se os beijos evidenciando os tártaros do descuido – tártaro, muitas vezes da dor dos deseleitos da sorte. Elejo então a minha morada no mundo do mundo, onde meus olhos vêem com seus corações e minha palavra tira a fome alheia e na aléia, passeia, com vontade de mudar.
E um mar azul e verde, cheio de beleza vem falar comigo nas tardes serenas de minha famosa Pajuçara – como mito entristecido com os perversos óleos dos navios que passam fundeando a sujeira do desamor dos homens.
E numa triste ronda, continua o peixe pescador a mergulhar e matar a sua fome, fome de respeito pelo homem que mata o homem e o peixe desassossegado.
Qual faquir triste, deito aos pregos de espinhos, pesado de raiva e nem tudo passa, e sangro, e choro e adoeço.
E o pecado adorna a carne e é vasta a falsa alegria dos que floreiam o invisível belo, chamando o vício e a morte para mais distante da moral de qualquer céu de praia. E esse pecado triste, escrevo e o mar já vomita as ondas, e a chuva chora e chega-me o sono e quando acordar nem sei se lá estará o mesmo mar ou, se desviado, será comporta doutra estrada, a que não vejo, a que não ouço, morto estando eu, sob tudo o que vi redesenhar o homem como se fosse ele dono do mundo, dono de tudo.
Estranhos jardins – esses meus sonhos. Avanço as ruas, cruzo os horizontes, faço viagens abstratas. E o meu choro vigia a minha dor enquanto durmo sono de pedra a levar-me para outros mundos.
E o meu fantasma ronda até a madrugada, manda ir-se o tempo, mas a hora é outra vez chegada e meu quarto é invadido pelo vento, apenas pelo vento, trazendo um raio fresco do cheiro das flores secas, ainda perfumadas.
E o mar é minha memória viva, retrato de um tempo eterno de infância, de areias alvas, água límpida, navio longínquo rareado nas imagens dos olhos. E as algemas tiram tudo. Esteiando-me em minha renúncia, faço da dor meu desabafo, lembro-me do tártaro, os ouvidos ouvem dessa mesma dor sua cantilena. Que pena! O mar secou, as ondas agora são de fumaça na moldura do retrato, onde vive a traça que tudo traça, até meu lindo navio de esperança.
E as estrelas descem candentes a dizerem do céu invadido, cheio de ferrugem e de perigo. E fico neste fim de prosa porque as palavras só podem ter as minhas pernas e estas, já cansadas, preferem dormir com a madrugada porque o outro dia já passou e... o mar..., não sei do mar! Nem sei se de mim, o sou, ou estou ainda em qualquer cais de amor ou de desesperança...

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 06/04/2007 às 10h13

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