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Meu Diário
08/04/2007 14h43
Saúde
O retrato mais fidedigno que possa vir representar o atual estado em que se encontram os serviços de Saúde Pública no Brasil, remete e transporta a traumas de um mau começo que habita lugares e tempo distantes. Desde muito tempo que se desconstrói a saúde pública que se pratica hoje. Resolver esse caos é algo nem pouco complicado. Exige muito de cada um de nós.
Alunos mal preparados saem assim de seus estudos normais, porque as escolas públicas e privadas não possuem, em sua maioria, um vergo denso de professores bem qualificados. A escola privada cobra muito, a pública nada cobra de ninguém, e a que preenche o meio das duas brinca de cobrar enquanto o aluno brinca de estudar e de passar também.
A faculdade não oferece as condições ideais para a formação dos nossos médicos, e o profissional, a partir do quarto ano, está mais preocupado com o que de mais rentável lhe será oferecido no futuro próximo, a depender da escolha que ele vier a fazer. Deverá especializar-se e é tomado pelo medo de não conseguir um local para fazer a sua especialização. Onde conseguirá a sua residência médica? E como estará o mercado de trabalho após toda essa labuta? Cobra engolindo cobra e um grande dragão branco fumaçando o desemprego por todos os lados.
Hoje estão querendo cobrar muito de uma classe que necessita de grandes reparos a serem feitos, pagando miseráveis salários e expondo-a a todo o troco de dissabores. E a saúde brasileira vai de mal a pior mesmo e só não vê, quem não quer ver mesmo, ou quer enxergar algo diferente.
Os postos de saúde recebem, nas madrugadas friorentas, os excluídos que, entre gemidos e lágrimas, clamam por um atendimento qualquer, esquecendo-se até de que têm dignidade, são gente, têm direito a uma saúde de boa qualidade. Remédios gratuitos para os programas oficiais do governo funcionam precariamente. O que jamais poderia faltar cronicamente falta. Há filas para se ser atendido até nos prontos-socorros. A morte espera pelo atendimento que demora, enlanguescendo o sofrimento alheio.
Saúde ainda não é tida como coisa séria, e as autoridades discursam, enviam documentos e nada mais do que isso é feito. Quem é rico ou famoso tem acesso à medicina gratuita e de melhor qualidade. Quem não é, espera a morte chegar com o adiantado da hora que contempla o atrasado do atendimento desonroso e tétrico.
Se não podemos ter sequer saúde, o que poderemos ter melhor do que isso? Há coisas que não há necessidade sequer de serem cobradas. São axiomas na vida de todo cidadão. Eu continuo a pensar que estamos dando murro em ponta de faca. O caos está se instalando com muito mais pressa do que o previsto. Jogar na imprensa propagandas enganosas e dizer que a saúde vai muito bem deve causar doença, além de forte risco de ir-se à cadeia. A coisa está tão séria que já passa das raias do suportável.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 08/04/2007 às 14h43

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