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10/06/2007 09h41
A última fronteira
A última fronteira




O Estado de Alagoas, ao entrar na mídia nacional através de seus imundos representantes na “Operação Navalha”, perdeu um pouco sua pureza virginal, soletrada pela cor de suas águas praieiras e de seus dançantes coqueirais contempladores de eternas marolas. Poucos em apuros, enlameados pelas máculas ficadoras em suas mãos traquinas, tentam retirar o porto seguro turístico – última fronteira da crença social em que nosso povo acredita. O Estado de Alagoas não merece esse descaso todo. Admiro o talento alheio para criações frutíferas, mas desabono as condutas mundancistas de tantos que, pondo a sociedade em desvantagem gritante, roubam, caluniam e até matam em nome da selvageria do descaso e do desmando.

É preciso pôr os olhos nos diretores de algumas fundações, catar seus mal-cheirosos passos contábeis, seus desvios de verbas. Soube recentemente de uma reconhecida fundação que atua na área de saúde que, atendendo a uma ínfima cifra de pacientes carentes por determinado convênio, anuncia ao governo que o faz para uma maioria, recebendo, assim, ilegalmente, o direito de conhecer-se como fundação filantrópica, de utilidade pública. Garbosamente essa fundação alimenta com ótimos salários filhos de famílias conhecidas quando deveria, na realidade, cumprir com seu maior objetivo, o de atender aos pacientes carentes. Abusa da lei usando dos privilégios de que não é merecedora. Se abrirem a caixa-preta de instituições como essa, a zoada vai ser bem maior que a produzida pela ”navalhada” que o nosso Estado sofreu com essa última operação de mesmo nome.

Há marginais ousando sorridentes, tendo em seus sorrisos o disfarce perverso de suas almas desumanas e fétidas. São homens bem-vestidos e descaradamente defensores da lei e da ordem. Não necessitamos andar muito para achar um punhado deles atrás dos birôs audientes de conversas escabrosas.

Mas há sim uma poeira espalhada a exigir mudança. Os mal-acostumados detêm sobrenomes bastante conhecidos. São velhos preguiçosos que nunca aceitaram subir na vida com os frutos do trabalho lícito. Passa já o tempo de serem expurgados de seus indevidos lugares. Que chorem e lamentem. A sociedade não permitirá mais que continuem roubando o erário descaradamente. Assim como suas barbas grisalhas escondem suas faces hediondas, suas mãos encherão as algemas da justiça, quero crer, em tempo recorde.
Não há mais violência do que se permitir que tais indivíduos continuem agindo nas sombras da impunidade. É aviltante continuarmos vendo tudo isso acontecer. Navalhem-se certas fundações que andam a confundir a opinião pública como se elas não o fossem. Expurgam o público em detrimento do privado. Algumas delas muito doces, outras nem tanto, mas todas a produzirem amargos frutos no seio da sociedade.

A hora mais exata para agirmos é agora, para que nosso amanhã seja mais justo e vivo. Os porcos poderão continuar comendo, não os doces frutos das safras, mas o lixo que produzirem suas idéias nojentas!

Essa última fronteira que vivemos deverá aglutinar forças para retirar do miolo social todos esses ladrões engravatados que posam como donos do mundo. A corja é imensa, mas bem maior do que tudo isso devem ser a força da lei e a ordem do Estado.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 10/06/2007 às 09h41

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