Paulino Vergetti  Neto_escritor

Meu_Tear Literário_

Meu Diário
28/04/2007 20h17
Ouro ao Bandido?
Esses americanos do Norte, de tolos, não têm nada. Invadiram o Iraque e ninguém me convence que não tenha sido por dois motivos: manter presença bélica viva na região e ter mais fácil e próximo de si, o valiosíssimo petróleo do subsolo.
A Fhoenix Gems, uma empresa especializada em exploração de jazidas de pedras preciosas, comprou o direito de exploração do ouro na reserva brasileira de Carajás – a famosa Serra Pelada – o que lhe dará, sem sombra de dúvida, ótimos dividendos. Arrepio-me de medo só ao lembrar que Serra Pelada é Amazônia Legal e ainda ouço a frase conhecidíssima: “integrar para não entregar”. Acho que estão entregando o ouro ao bandido, literalmente falando e ainda mais palavras que não são ditas aqui, por conveniência, eu acredito.
A Fênix, aquela deusa mitológica grega que renasceu das cinzas, lembram-se? vem, agora mudada, enriquecer com a lama jazidual de Serra Pelada.
O Brasil, que tanta tecnologia para exploração de petróleo domina, não teria condição de desenvolver os meios para a exploração dessa jazida? Ouro é ouro, soberania é soberania. Se eu decidisse, coisas haveria do lado de cá do planeta que neguinho de lá jamais saberia. Não sei se é só o ouro de nossa floresta que eles desejam, ou as florestas dos nossos ouros.
Se nossas autoridades não abrirem os olhos, a vaca pode ir ao brejo de Carajás ficar atolada e o nosso ouro sair no lombo de pequenos bimotores até as fronteiras mais próximas da região, e aí, adeus Zé, que nem o vento guardará seu cheiro já que a cor terá ido há mais tempo ainda para bem longe.
Ouro remanescente uma ova! Serra Pelada tem ouro que não acaba mais. Eles dizem que não exploram esse tipo de ouro. Duvido. Vão mesmo é iniciar um grande império de extração mineral que Deus sabe até onde poderá chegar daqui a alguns anos.
Esses valores materiais levam os homens a buscar outros valores, nem sempre maiores e éticos. Nessa caça ao substrato do poder, as guerras inquietam inocentes que apenas margeiam as áreas dos interesses excusos. É importante não se ceder ao capricho desse povo no mínimo estranho. Entre nós podem se transformar em uma praga poderosa e quando nos dermos conta do mal que produziram, será tarde demais para tentarmos algum conserto.
O orvalho amazônico possui gotas aveludadas de riqueza. É tanto esta que desperta interesses em grande parte de outros governos. O fim do dia traz sombras estranhas e, enquanto dormimos quietos, outras sombras por nós arquitetadas constroem um pesadelo que poderá causar-nos prejuízos irreparáveis.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 28/04/2007 às 20h17
 
24/04/2007 11h14
Asas fortes/pássaros frágeis
O que me quiser dizer a vida, tomo como lição, correndo ao lado da experiência, não para me tornar sábio, mas para saber tudo o que se fizer necessário nesta vida.
Se desejar voar e possuir asas fortes, por que me interessar apenas em viver no chão, se posso fazer-me um lindo pássaro cortador dos altos ventos? Hei de querer saber dar o maior vôo dos vôos sonhados; nem tão baixo, nem tão alto, mas admirável vôo. Desfilarei no céu entre o fulgor de tantas estrelas luzidias que, sem terem asas, não tombam.
Quero ser apenas um pássaro, mas um grande pássaro feliz, cheio de asas para levar comigo os elefantes e os jacarés e poder mostrar a todos eles como se pode ser feliz sem se ter asas, bastando apenas ter-se amigos de verdade. Quero as asas, seus enfeites, seus poderes, suas forças, tudo isso, depois de aprender a fazer amigos sinceros, livres como os pássaros.
Comecei esta crônica poetizando um cotidiano de vida que modernamente tem nos oferecido bastantes pesadelos versificados nas páginas de jornais e revistas, deixando-nos abismados e tristes. Retirei-o de um dos meus livros ainda inédito.
Como pode um adolescente, criado entre pais com poder aquisitivo bom, educado em colégios privados, ir ao fosso profundo do desconvívio social e matar outro colega de parecidas características?
Este século será para os pais do mundo um inferno vivo. Tenho assistido às dezenove horas, na televisão, principalmente na Rede Globo, a jovens bonitos, suados e ofegantes, recém-saídos de teatrais representações de orgasmos. Ainda podemos ver a astúcia , a ousadia fantasiosa de um “Serial Killer” que, em gestos milimetrados, é vangloriado por expectadores os mais diversos, como o herói novelesco da moda.
Não há mais respeito e nossos jovens, futuro do Brasil, estão se esfacelando, fugindo de qualquer moral e ética, porque o mais “fashion” é ser-se rebelde, usar brincos em exagero nas orelhas, sobrancelhas, umbigo e língua, como se isso não fosse característica dos velhos monstrengos que líamos no passado, nas revistas vendidas nas bancas, a nós, seus pais. Eles viraram nossos filhos agora e estão se parecendo com os velhos monstrengos que líamos.
A droga tem dado a outra grande parte de nossos jovens, um temível cobertor de espinhos viciado na morte. Amigos meus têm chorado copiosamente, numa triste rotina de olhos marejados, o silêncio em seus lares pela ausência de seus filhos que, por força da lei ou do amor dos pais, vivem internados nas casas de recuperação de drogados. Isso é lastimável, dói no coração.
Meu Deus, tende piedade de todos nós, afastai-nos os cálices do liberalismo, da prostituição, das drogas, do desamor, do retrocesso maligno em que, parece, estamos vivendo. Os joelhos dobrados, principalmente das mães, criaturas agônicas, de terços às mãos, têm sido prova desse destemor globalizado nos rumos que o mundo vem tomando.
Como a poesia poderia ajudar-nos, se essa mesma televisão que está destruindo toda essa civilização mudasse radicalmente essas imagens perversas que tem transformado nossos filhos e investisse em música clássica, filmes educativos, programa de recitação de poemas! Creiam todos: a literatura pode reverter tudo isso, dar ânimo novo aos inquilinos deste planeta, sem necessitar esconder as palavras sensuais e o sexo que é, além de belo, próprio dos homens.
Há uma cruz diante de nós que estará hoje, nesta crônica, simbolizando a morte de um inocente que se foi e de outro agônico que ficou, ambos órfãos da poesia e do convívio social sadio. De um lado há mais dor do que no outro. Nossas faltas para com tudo isso ficarão alimentando novos conceitos, mudanças radicais, tudo isso que, muito mais importante que novelas medíocres, cheias de sexo e brincos, merece um grande plebiscito para mudar o mundo.
Ou voltamos à proximidade do tribalismo cultural, sem carecermos ser subdesenvolvidos, ou iremos todos ficar trancafiados entre os muros hediondos como nas velhas arenas romanas, só que, hoje, apenas como leões, já que o homem, estamos pondo no torvelinho da aniquilação. Meu Deus, tende piedade de nós, ajudai-nos a ajudar a nós mesmos e ao resto da humanidade, única forma possível de salvarmos nossos filhos do desgoverno em que vivem, frente a tantas ameaças visíveis e invisíveis. Coletivizo aqui um luto que oferece mais pavor ainda do que aquele que possamos imaginar.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 24/04/2007 às 11h14
 
15/04/2007 09h33
Por desamor!
A vida habita a alma e a alma habita a vida e por esses caminhos entendíveis, anda a reflexão de tudo o que tem essência. É por isso que repouso manso em toda tempestade que me visita e por amor clama, andando por entre as poesias dos versos que eu fizer para o mundo.
Faço as minhas reflexões à sombra das santidades alheias à minha, porque o meu coração é de vidro e o meu pensamento gera idéias fantásticas que me inundam de sonhos os mais diversos, onde posso ser o paraíso dos meus próprios paraísos. O que mais posso desejar da vida? Nada? Tudo!
Motivo-me a escrever esta crônica porque os meus olhos lacrimejam, entristecidos pela falta de amor entre os homens perdidos, o que tem dado munição e provimento errático aos bandidos de agora, que tanto têm agido maldosamente.
Só o amor poderá mudar a terrível face da violência pela qual estamos sendo vitimados na atualidade. Uma violência que singra mares para agir imune e desassombrada de qualquer punição. O homem tem querido mais, visitar os seus próprios desvalores e, com isso, vomitado violência nos átrios dos lares, onde a essência sartriana foi esquecida em nome da violência das estradas. O crime ousou tanto que nos faz sentir impotentes, desprotegidos pelo estado, ao léu. Covardemente eles têm atravessado barreiras bem menos íngremes que os cidadãos de bem. Quedam-se as últimas esperanças de uma aurora pacífica, um novo, despido de tanto desamor e ódio.
Por que chegamos até aqui? O mundo carece de uma nova ordem social onde a convivência fraterna possa ser ofertada de forma mais abrangente e descomplicada. Quando os bandidos estarão inglórios em suas acomodações prisionais e a sociedade verdadeiramente livre? Quando? Hão de morrer tantos inocentes ainda? Força Nacional, aumento de efetivo policial, verbas, etc., apenas ajudarão a minimizar a convulsa cesta do crime onde os bandidos pousam apodrecidos até a alma. O amor será o nosso maior valor contra eles. Nada do que se fizer sem amor nascerá forte nem produzirá bons frutos. A liberdade pode levar-nos a descaminhos também. O andar responsável é parte do convencimento de poucas criaturas. As ruas precisam ser avisadas da paz. O homem tem que voltar a ser bom, amar ao próximo.
O crime está forte porque nós estamos desaprendendo a amar a vida e as pessoas. Necessitamos de um novo norte apaziguador, fronteiriço da felicidade, animador no sentido do prazer coletivo. As águas sujas dos rios caudalosos que descem ao mar descolorirão a vida dos oceanos, e as praias não serão mais os lugares lívidos para os passeios, mas as areias dos arrastões monstruosos e indesejáveis. O planeta está sofrendo, a árvore sendo cortada a mando do egoísmo e da ambição, as balas perdidas rasgando os céus das grandes e pequenas cidades. E onde está o amor entre os homens? Como nos é vergonhoso fazermos de nossos lares, nossos próprios claustros do medo, já pavor, diga-se, para sermos mais completos e congruentes com os nossos mais fiéis entendimentos.
A hora passa, o homem age em confronto com sua própria natureza santa. Tem que voltar a exercitar o amor sob pena de todos nós virarmos os bandidos de nossos próprios crimes. Amemos-nos então! O efeito estufa não destruirá o planeta se plantarmos, ao invés de apenas árvores, o amor ao próximo.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 15/04/2007 às 09h33
 
08/04/2007 14h43
Saúde
O retrato mais fidedigno que possa vir representar o atual estado em que se encontram os serviços de Saúde Pública no Brasil, remete e transporta a traumas de um mau começo que habita lugares e tempo distantes. Desde muito tempo que se desconstrói a saúde pública que se pratica hoje. Resolver esse caos é algo nem pouco complicado. Exige muito de cada um de nós.
Alunos mal preparados saem assim de seus estudos normais, porque as escolas públicas e privadas não possuem, em sua maioria, um vergo denso de professores bem qualificados. A escola privada cobra muito, a pública nada cobra de ninguém, e a que preenche o meio das duas brinca de cobrar enquanto o aluno brinca de estudar e de passar também.
A faculdade não oferece as condições ideais para a formação dos nossos médicos, e o profissional, a partir do quarto ano, está mais preocupado com o que de mais rentável lhe será oferecido no futuro próximo, a depender da escolha que ele vier a fazer. Deverá especializar-se e é tomado pelo medo de não conseguir um local para fazer a sua especialização. Onde conseguirá a sua residência médica? E como estará o mercado de trabalho após toda essa labuta? Cobra engolindo cobra e um grande dragão branco fumaçando o desemprego por todos os lados.
Hoje estão querendo cobrar muito de uma classe que necessita de grandes reparos a serem feitos, pagando miseráveis salários e expondo-a a todo o troco de dissabores. E a saúde brasileira vai de mal a pior mesmo e só não vê, quem não quer ver mesmo, ou quer enxergar algo diferente.
Os postos de saúde recebem, nas madrugadas friorentas, os excluídos que, entre gemidos e lágrimas, clamam por um atendimento qualquer, esquecendo-se até de que têm dignidade, são gente, têm direito a uma saúde de boa qualidade. Remédios gratuitos para os programas oficiais do governo funcionam precariamente. O que jamais poderia faltar cronicamente falta. Há filas para se ser atendido até nos prontos-socorros. A morte espera pelo atendimento que demora, enlanguescendo o sofrimento alheio.
Saúde ainda não é tida como coisa séria, e as autoridades discursam, enviam documentos e nada mais do que isso é feito. Quem é rico ou famoso tem acesso à medicina gratuita e de melhor qualidade. Quem não é, espera a morte chegar com o adiantado da hora que contempla o atrasado do atendimento desonroso e tétrico.
Se não podemos ter sequer saúde, o que poderemos ter melhor do que isso? Há coisas que não há necessidade sequer de serem cobradas. São axiomas na vida de todo cidadão. Eu continuo a pensar que estamos dando murro em ponta de faca. O caos está se instalando com muito mais pressa do que o previsto. Jogar na imprensa propagandas enganosas e dizer que a saúde vai muito bem deve causar doença, além de forte risco de ir-se à cadeia. A coisa está tão séria que já passa das raias do suportável.

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 08/04/2007 às 14h43
 
06/04/2007 10h13
Reflexões da Rotina
Andamos pelos mesmos caminhos onde as serpentes andam. Sob as árvores onde as cigarras secam de cantar em prol dos tempos verânicos. E sobrevive esse canto, tanto e tão forte que retorna após a chuva da invernada, quando o sol vem novamente arder no tempo e secar até a lágrima. E o sentimento fica da cor do tempo.
E os mortos, sujos da terra, não podem admirar a luz da alvorada. Acabam-se apenas pelo que lhes levam o tempo voraz dos micróbios esfomeados nas distâncias rasas da terra, donde brota tudo, menos o que ali fora enterrado de humano e poético.
O título do meu título está nos efêmeros instantes das horas, dos minutos, dos segundos seguidos por uma espera contínua de esperança em novas visões, em mundos mais luminosos. As palavras dos sinos nos fazem chorar, e um que morre acorda um que vive.
Estralam-se os beijos evidenciando os tártaros do descuido – tártaro, muitas vezes da dor dos deseleitos da sorte. Elejo então a minha morada no mundo do mundo, onde meus olhos vêem com seus corações e minha palavra tira a fome alheia e na aléia, passeia, com vontade de mudar.
E um mar azul e verde, cheio de beleza vem falar comigo nas tardes serenas de minha famosa Pajuçara – como mito entristecido com os perversos óleos dos navios que passam fundeando a sujeira do desamor dos homens.
E numa triste ronda, continua o peixe pescador a mergulhar e matar a sua fome, fome de respeito pelo homem que mata o homem e o peixe desassossegado.
Qual faquir triste, deito aos pregos de espinhos, pesado de raiva e nem tudo passa, e sangro, e choro e adoeço.
E o pecado adorna a carne e é vasta a falsa alegria dos que floreiam o invisível belo, chamando o vício e a morte para mais distante da moral de qualquer céu de praia. E esse pecado triste, escrevo e o mar já vomita as ondas, e a chuva chora e chega-me o sono e quando acordar nem sei se lá estará o mesmo mar ou, se desviado, será comporta doutra estrada, a que não vejo, a que não ouço, morto estando eu, sob tudo o que vi redesenhar o homem como se fosse ele dono do mundo, dono de tudo.
Estranhos jardins – esses meus sonhos. Avanço as ruas, cruzo os horizontes, faço viagens abstratas. E o meu choro vigia a minha dor enquanto durmo sono de pedra a levar-me para outros mundos.
E o meu fantasma ronda até a madrugada, manda ir-se o tempo, mas a hora é outra vez chegada e meu quarto é invadido pelo vento, apenas pelo vento, trazendo um raio fresco do cheiro das flores secas, ainda perfumadas.
E o mar é minha memória viva, retrato de um tempo eterno de infância, de areias alvas, água límpida, navio longínquo rareado nas imagens dos olhos. E as algemas tiram tudo. Esteiando-me em minha renúncia, faço da dor meu desabafo, lembro-me do tártaro, os ouvidos ouvem dessa mesma dor sua cantilena. Que pena! O mar secou, as ondas agora são de fumaça na moldura do retrato, onde vive a traça que tudo traça, até meu lindo navio de esperança.
E as estrelas descem candentes a dizerem do céu invadido, cheio de ferrugem e de perigo. E fico neste fim de prosa porque as palavras só podem ter as minhas pernas e estas, já cansadas, preferem dormir com a madrugada porque o outro dia já passou e... o mar..., não sei do mar! Nem sei se de mim, o sou, ou estou ainda em qualquer cais de amor ou de desesperança...

Publicado por Paulino Vergetti Neto em 06/04/2007 às 10h13



Página 3 de 5 1 2 3 4 5 [«anterior] [próxima»]

Site do Escritor criado por Recanto das Letras