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Lavagem



A ventania arrancou todos os bancos da praça
onde estava sentado a ver a lua.
As árvores voaram para dentro dos meus olhos.
Cantei, para espantar a tristeza,
mas, cadê a voz? E vós?
Não me deste, desta vez, a língua.
Pus pedras nos limpos do caminho
e pude ouvir a longa canção de um passarinho,
sem gaiolas, preso à minha boca
que, quase louca,
deitou-se no verbo inusitado
e só assim pude gritar parado
quando soube de mim que vós
nada sabia do meu passado,
longe dos bancos desconsolados das praças,
próximo à canção daquele pássaro,
agora já não mais apenas passarinho.

Às vezes sorrio de minha alma, sem perguntas
que faça ao mundo, imundo de tudo,
do que depositamos nele.
Paulino Vergetti Neto
Enviado por Paulino Vergetti Neto em 30/07/2017
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